Certo
dia, eu ouvi alguém dizer
a seguinte frase: “Quem Vive de
Passado é Museu”, e que deveríamos,
apenas olhar para frente, nunca
para traz.
Não sei de quem é
a autoria, mas, discordo em gênero,
número e grau, pois quem
a inventou, esqueceu-se de um pequeno
detalhe: o nosso passado é
a estrada que percorremos durante
toda a nossa existência, e
é por isso que não
podemos nem devemos esquecê-lo.
Foi através dessa caminhada
que chegamos, onde estamos, no presente
momento.
Encontramos trechos onde a estrada
da vida se dividia em três,
para que pudéssemos optar:
o lado esquerdo, o direito ou seguir
em frente.
Com certeza, tivemos erros e acertos,
e dos nossos erros tínhamos
e temos, ainda, a obrigação
de entender como lição.
Se não for possível
consertar, nos resta a opção
de não mais cometê-los.
Quando voltamos no tempo, em pensamento,
não devemos é relembrar
as coisas ruins que nos aconteceram,
mas sim, pensarmos nas conquistas
que obtivemos:
A realização profissional,
a felicidade de haver encontrado,
ao longo do caminho, ao amor da
nossa vida , os sonhos que conseguimos
realizar, entre outras coisas.
Os museus contam diversas histórias
e não acredito que em algum
momento, alguém tenha, pelo
menos uma vez, deixado de visitá-los.
Podemos comparar a nossa história
de vida, como as de um museu.
Fico imaginando, por exemplo, um
casal que tenha completado 50 anos
de casados, isto não quer
dizer que não tiveram suas
divergências, suas rusgas,
ou até brigas mais sérias,
mas, para continuarem a viver todo
esse tempo junto, tem que ter havido
um amor maior e mais lembranças
boas para serem recordadas, e quando
um deles parte para a outra vida,
tendo terminado a sua missão
entre nós, o que alimenta
a alma de quem ficou, é,
exatamente, poder reviver em pensamento
a estrada que percorreram.
Então eu pergunto: por que
“Quem vive de passado é museu”?
Eu acredito haver somente um motivo
para o inventor dessa frase: “ele
nada realizou, nada conquistou,
nada construiu” !
Provavelmente as lembranças
que teve, foram apenas dolorosas”!
Se realmente foi isso que aconteceu,
as opções escolhidas
não poderiam ter sido outras?
Quem sabe? Só o autor poderia
responder. Esta frase é tão
antiga, que não creio que
ainda esteja entre nós.
Amargura e revolta de nada adianta,
após haver chegado o fim
da estrada.
Francisco Otaviano escreveu o seguinte
verso:
“ Quem passou pela vida em brancas
nuvens
E em plácido repouso adormeceu,
Quem não sentiu o frio da
desgraça,
Quem passou pela vida e não
sofreu...
Foi espectro de homem, não
foi homem.
Só passou pela vida... não
viveu ”.
Rio
de Janeiro, 02 de junho de 2006.
Vanda Dias da Cruz